segunda-feira, 3 de maio de 2010

Bar Life agita a capital gaúcha

Acompanhe agora a cobertura minuto a minuto do bar Life situado na rua Casemiro de Abreu, zona norte de Porto Alegre. Aqui você vai encontrar todas as informações sobre a movimentação do local e o ensaio de uma banda de rock gaucho.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Passo Invisíveis



O desperdício tanto de alimentos quanto de espaço físico infelizmente é uma realidade que assombra o mundo. Porto Alegre, capital da qualidade de vida, esconde por trás de seus parques e shoppings luxuosos uma camada de pessoas vivendo abaixo das linhas da pobreza, as quais poderiam ter uma vida digna se todos os recursos da cidade fossem usados corretamente.
Porto Alegre possui 13012 imóveis públicos desocupados, segundo dados da Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos em contrapartida há 1206 moradores de rua, segundo a FASC, e esses números só aumentam se formos falar em pessoas que possuem moradia, mas vivem abaixo da linha da pobreza. Rogério kreiquis Fagundes faz parte das 87 mil famílias porto alegrenses que possuem um lugar para dormir, mas não se alimenta corretamente em função da falta de recursos, (dados do Bando de Alimentos de Porto Alegre). Fagundes há sete anos viu sua vida mudar, com os primeiros sinais de tremores no corpo, era a epilepsia uma doença caracterizada pelos sinais elétricos incorretos do cérebro. Após o diagnóstico Fagundes sofreu um atropelamento que o obrigou a usar bengalas e o afastou definitivamente da sua profissão de pintor de casas. Devido às adversidades Fagundes não desanimou e fez o que estava ao seu alcance para se sustentar e ajudar a irmã portadora de câncer, com a qual ele mora. Fagundes passou a pedir esmolas no centro de Porto Alegre, chuva ou sol, lá está ele na Avenida Otávio Rocha, sentado na calçada com suas muletas e uma bíblia pedindo uma moeda ou um simples sorriso. “As pessoas passam e fazem de conta que eu não existo, me tratam pior que um cachorro, não precisam me dar dinheiro, mas podiam pelo menos olhar nos meus olhos.” Desabafa Fagundes. O ex – pintor se diz muito descontente com o desperdício que ocorre na capital gaúcha, tento consciência de que o que as pessoas colocam no lixo poderia servir de alimento para ele e a irmã. Para Fagundes os governantes são os principais responsáveis por essa realidade. “O governo não se preocupa com a gente, eles não tem Deus no coração, por isso fazem leis como a que puni os donos de restaurantes que doam comida para as pessoas.” Fagundes está se referindo a lei 3.071, feita em 1916, a qual prevê pena de até cinco anos para quem doa uma refeição pronta, se essa prejudicar a pessoa que recebeu o alimento.

Em um país onde, segundo o IBGE, 14 milhões de pessoas passam fome, é inaceitável existir uma lei que iniba a doação de alimentos. O governo afirma que essa ação é para proteger povo. Mas e os 1.206 moradores de rua de Porto Alegre quem está protegendo? As 86 mil famílias que passam fome na capital gaúcha todos os dias, quem está protegendo? Fagundes acredita que a proteção vem dos céus. “Ninguém nunca me deu nada nessa vida, nem um governador me deu um cobertor, perguntou se eu tava com frio ou com fome, mas Deus está comigo”. Ele completa citanda uma passagem da Bíblia. “Um dia Maria chorou em frente a cruz e Jesus perguntou para ela. Porque choras se eu estou aqui. Jesus está aqui comigo e por isso eu sou muito feliz”.
Em contra partida a todas as necessidades do povo brasileiro 160 toneladas de alimentos são postas no lixo, segundo o DMLU. Tentando reverter esses números e mostrando que com boa vontade e organização é possível ajudar, o Mesa Brasil Sesc. importou uma idéia dos EUA, a qual foi posta em prática em São Paulo e hoje atua em todos os estados do Brasil. Segundo o gerente do Sesc Comunidade Alexante Daré, “a idéia exatamente era procurar em lojas e mercados alimentos que tenham data de validade curta ou que não apresentem mais valor comercial e distribuir esses alimentos para as instituições cadastradas no programa.” Para garantir a segurança de quem recebe as doações o Mesa Brasil, recebe apenas alimentos não preparados. As entidades assistenciais filantrópicas que desejam receber doações do Mesa Brasil precisam atender crianças, adultos ou idosos, e desenvolver ações sociais e educacionais. Entre as vantagens para as empresas que participam através de doações está a isenção do ICMS, diminuição de custos com operações de logística e eliminação de produtos sem valor comercial.
Além das doações de alimentos o Mesa Brasil, também se preocupa com o lado educacional visando diminuir o desperdício de alimentos, Daré citou um exemplo para explicar como o Mesa Brasil atua, “há cerca de dois meses nós recebemos cerca de 60 toneladas de farinha de mandioca, as cozinheiras não sabiam o que preparar com o mantimento, então nós desenvolvemos oficinas mostrando pratos variados que poderiam ser feitos com a farinha de mandioca.”
Tendo em vista as necessidades da população sabemos que ainda há muito a ser feito, porém ao nos deparamos com iniciativas como a do Mesa Brasil Sesc, podemos observar que os governantes estão dando alguns passos para a solução do problema, mesmo que sejam passos como os de Jorge Fagundes, que em função da epilepsia e do distúrbio nas pernas demora cerca de 40 minutos para cruzar uma quadra.

domingo, 2 de novembro de 2008

O Mundo da Música

A música sempre foi uma forma de expressão da sociedade, ela já demonstrou os sentimentos mais profundos do homem, como: o amor, a raiva, e o desejo de mudança. Hoje com a industrialização da música, por vezes, as intenções das bandas se tornam secundárias perante a ação das gravadoras, como afirma o rapper Filipe Mixirica. “Para mim gravadora não precisaria existir cada um lança o seu som e já era. Pois com essa história de direitos autorais, o som não é mais teu e sim da gravadora. Eles podem fazer a tua música ser ouvida por um milhão de pessoas, mas tu não ganha realmente por isso, e nem as pessoas que estão ouvindo,”


A História da Música


Meninas da banda Acústico Hashi
A música dos anos sessenta e setenta, representavam uma nova visão da juventude. A população cansada de guerras queria simplesmente ser livre e respeitada. Era a geração "paz e amor" que mostrava a sua cara. Canções como “Revolution” e “Imagine” dos Beatles, representavam a esperança do povo em dias melhores. “Você diz que quer uma evolução. Bem você sabe todos nós queremos mudar o mundo. Mas quando você fala em destruição você já sabe que não pode contar comigo.” ( Trecho de Revolution “Os Beatlhes"). No Brasil a Jovem Guarda se destacou, principalmente na figura de Roberto Carlos, “Além do Horizonte” é o espelho da sociedade que desejava fugir da realidade da época. “Além do horizonte existe um lugar, bonito e tranqüilo para a gente se amar” (Trecho da música, Além do Horizonte, Roberto Carlos). Chico Buarque de Holanda, também embalou os brasileiros com canções como “A Banda” e “Construção” as quais questionavam a sociedade de uma maneira camuflada e divertida para driblar a censura imposta pelo governo ditatorial.
Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs, Paralamas do Sucesso, Rita Lee Cássia Heller, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii entre outros representaram o rock brasileiro dos anos oitenta e noventa. Os “filhos da revolução” agora desejam verbalizar todas as críticas sociais sufocadas pelo período ditatorial. Canções como “Que País é Esse?” (Legião Urbana), Fátima (Capital Inicial), “Favela da Maré” (Paralamas do Sucesso), ou “A Burguesia Fede” (Barão Vermelho), retratam uma sociedade revolucionária sedenta por mudanças. “Nos anos oitenta o rock evolui muito, surgiram o punk e outras performances para expressar o descontentamento dos jovens inclusive com a tecnologia." Afirma ex-integrante da banda Engenheiros do Hawaii Augusto.


Augusto licks, músico
O rock atualmente não é tão questionador como o mostrado nas décadas anteriores, mas ele também desempenha um papel importante na sociedade, como ressalta a vocalista da Banda Acústico Hashi Thábata Brando,“O povo brasileiro hoje, prefere fazer músicas do bem ao invés de impor alguma coisa. O jeito que talvez mude é expressar na tua letra a situação atual e expressar nas tuas atitudes. Mas fazer por ti, não tentar mudar a atitude do outro.”




RAP: UMA NOVA FORMA DE REVOLUÇÃO


Filipe Mexirica, rapper
Em um mundo cercado pelo individualismo e as desigualdades sociais surge o rap, um estilo de música que apesar de envolver os quatro elementos, break, skate, basquete e grafite, pode ser feito sozinho. “Para fazer um rap tu não precisa de quase nada, é só ter um papel, uma caneta e uma idéia” diz o rapper Filipe Mixirica, e completa, “as letras do rap são principalmente críticas sociais porque é a realidade de quem faz, realidade de pobreza e miséria. Mas não é isso tem muito mais coisa.”
Marginalizado pela mídia e excluído pelo sistema, o rap mostra que é possível desenvolver um trabalho de qualidade sem o auxílio das gravadoras, como ressalta Mixirica. “Se tu não pagar jabá tu não consegue tocar no rádio. Por isso tem muita gente boa que não aparece na mídia Na música alternativa é diferente só toca quem sabe mesmo.”


Como burlar o Sistema


Desenvolver um trabalho de sucesso sem perder a personalidade é o desafio de muitas bandas. Para a vocalista da banda Reserva 1280, Michelle Rossatto é preciso estar no sistema para poder mudá-lo. “O único jeito de mostrar o teu trabalho é entrar para o mercado com uma música mais comercial e depois que estiver em cima ai sim é mais fácil conseguir as coisas, ir para outro lado.” Filipe Mixirica vê na internet uma forma para driblar a indústria musical. “Hoje em dia a música está muito difundida na internet e de graça e isso é bom. O problema vai ser achar uma música boa no meio de tanta música ruim. Mas mesmo assim tu tens a oportunidade de largar o teu som na rede.”


Música X Drogas

Marcos e Michelle, integrantes da banda
Reserva 1280
Além da dificuldade de divulgar o som para o público, outro obstáculo presente no mundo da música é a busca por inspiração e criatividade. Muitas vezes, essa procura estimula o uso de entorpecentes. A pressão e o dinheiro que envolve o meio artístico acaba abrindo as portas para um universo de prazer e perigo, como afirma Michelle Rossatto. “Rola muita droga, porque tu vai ter dinheiro, muitas portas abertas. O pessoal acaba usando, mas se a pessoa quer seguir em frente vai ter que segurar a onda.” E completa Marcos Buron integrante da mesma banda. “Não tem como manter um nível musical alto usando drogas. O que eles colocam na tv que o "rock star" é um cara drogado isso é mentira. Eles mostram isso para que as pessoas pensem, já que eu não posso ser o “cara”, pelo menos eu vou fazer as mesmas coisas que ele.”
Presente nas letras das músicas, as drogas também expressam a revolta social dos compositores, que questionam a proibição de substancias naturais como à maconha, em contrapartida com a liberação de alucinógenos, também nocivos a saúde como o álcool e o tabaco, assim ressalta Mixirica “A apologia é necessária para questionar as leis que estão ocorrendo. Porque é proibido tu fumar um baseado e não é permitido tu encher a tua cara de cerveja?”


A Música pela Música


Juliano, vocalista da banda Fugitivos do Bar
As bandas independente do estilo estão tentando quebrar conceitos e desenvolver um som autêntico e de qualidade. Exemplo disso são as meninas do Acústico Hashi. Elas expressam a sua musicalidade no nome misturando a batida pesada do rock, com toques orientais e acústicos. “Nós queríamos um som pesado tipo kit, mas eu não consigo gritar com a vocalista do kit, então fizemos um som estilo Pitty, a batera gosta do Metálica, e as meninas tem influência de outras bandas. Essa junção de tudo faz a gente.”
O acústico Hashi é formado só por meninas, e encontra sua maior dificuldade no preconceito de ser mulher, em um ambiente onde os homens ainda são maioria. “Participei de um festival com mais de quarenta bandas e eu era a única mulher. Eu passava e a gurizada ficava rindo e dizendo, mulher não sabe fazer rock roll, esse tipo de coisa dificulta bastante.” Diz Thábata
A banda procura passar uma mensagem pacífica em suas canções, e sonha que um dia suas idéias sejam divulgadas para o mundo.
Os músicos do Reserva 1280 querem resgatar a essência da música mostrando um som, que valorize a melodia sem esquecer da ideologia presente nas letras, como afirma Marcos Buron. “As pessoas esqueceram o que é a música, a música em si, sem modismos, nós queremos resgatar isso .” E completa. “Nossa principal mensagem é para que os homens deixem de se importar tanto com as coisas. E para que as pessoas não se percam em meio há tanta loucura. E sou de Ijui e vim para Porto Alegre com uma idéia e ela sumiu. Nós queremos mostrar essa realidade.”Diz Marcos Buron. Quem dizer saber mais sobre a banda pode acessar o myspace.com/reserva1280.
Inspirados pelas músicas produzidas nos anos oitenta, os meninos do Fugitivos do Bar, procuram executar um trabalho diferente,“Hoje em dia as bandas fazem tudo igual. Nós temos uma linguagem mais anos oitenta, usamos uma guitarra limpa ou só um violão.” afirma o vocalista da banda Juliano Cardoso. A Conduta dos Fugitivos do bar reaviva o espírito revolucionário de gerações anteriores. Como explica Juliano: “Eu tenho um pensamento de que se pode fazer um mundo melhor com uma banda de rock e agente leva esse sonho até onde der.”

domingo, 28 de setembro de 2008

Trabalhadores da Justiça Exigem Reajuste Salarial


Em meio ao tumulto padronizado, que se encontra o Centro de Porto Alegre às18h horas, momento em que a maioria da população, sai do trabalho. Algumas vozes se destacaram na multidão, eram os Servidores do Judiciário que organizaram uma passeata nesta sexta feira (26/9), com o objetivo de reivindicar alguns direitos que segundo eles estão sendo suprimidos da categoria.
Há quatro anos, os trabalhadores da justiça não recebem reajuste salarial o que indigna o presidente do (Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Rio Grande do Sul) SindjusRS, Valter Assis Macedo. “Nossas perdas são mais de 66%, não há reposição salarial a quatro anos, queremos apenas que os nossos direitos sejam respeitados.” Os Servidores exigem também a contratação de profissionais qualificados para os cargos que hoje são ocupados por estagiários.
Segundo o (Tribunal de Justiça) TJ, a situação dos Judiciários vai ser revista após as eleições, pois o estado está passando por um momento político muito perturbado. Essa justificativa não satisfez os Judiciários, tendo em vista que outros impasses foram resolvidos nesse período, como aumento de salário da governadora Yeda Crusius. A representante maior do estado recebeu um reajuste de cerca de dez mil reais em agosto deste ano. Os trabalhadores da justiça irão responder a essa situação realizando paralisações semanais. “Nós vamos parar e vir para as ruas todas as quarta-feiras do mês de outubro, até que o TJ reveja a sua posição.” Diz o presidente do SindjusRS

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Identidade do Tráfico

Como tudo começou

O uso de drogas é uma fuga constante da sociedade. Com intuitos diferentes, todas as camadas sociais estão cada vez mais aderindo aos entorpecentes. Na guerra do Vietnam, a heroína se popularizou entre os soldados. A geração ‘paz e amor’, por sua vez, passou a ir contra todas as normas sociais que apoiavam o conflito. O cabelo comprido tomou o lugar do corte baixo usado pelos guerrilheiros. O brim prevaleceu sobre o terno. E o álcool foi substituído pela maconha e outros alucinógenos. O sociólogo Francês Morais, entende esse fenômeno como uma resposta ao movimento de criminalização das drogas ocorrente nos EUA, pouco antes da guerra do Vietnã.
A juventude brasileira também viu na droga, principalmente no movimento de Contracultura, uma f orma de se rebelar aos abusos cometidos pela ditadura. A geração anos 60, estava cansada de repressão, de consumismo, de ‘ordem e progresso’. Era preciso encontrar um mundo novo, com liberdade individual e sexual. A vontade de fazer as coisas de modo diferente era manifestada através da música, das roupas, do vocabulário, e no uso freqüente de substâncias ilícitas que proporcionavam mesmo que por instantes, uma nova realidade. “Eu senti na pele os abusos na ditadura. A maconha era usada como uma forma de libertação. Hoje, é diferente as drogas viraram uma arma do capitalismo”. Diz o vendedor, Pedro Fonseca.

Corrupção + exclusão social = violência

O tráfico de drogas na capital gaúcha vem crescendo nos últimos anos. A violência em Porto Alegre ainda não é proporcional a de outras grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, em que as pessoas perderam a confiança na polícia, tendo na figura do traficante um herói. E, onde facções criminosas como o Comando Vermelho levam vantagem sobre as autoridades policiais. Entretanto, Porto Alegre está longe de ser um modelo de segurança pública. Apesar, de não possuir contato direto com o crime organizado de outros estados, os infratores gaúchos também praticam ações como: a corrupção de policiais, o uso de menores para auxiliar no comércio ilegal, e também tem controle de crimes dentro dos presídios. O sociólogo justifica esse quadro pela falta de seriedade dos líderes políticos, ao se tratar de segurança pública. “Temendo uma perda de mandato, os governantes não pensam na descriminalização dos entorpecentes. Somente esquecendo as questões morais poderíamos diminuir o crescimento da violência”. Afirma Morais
Atualmente, os entorpecentes tomaram uma proporção tamanha que o tráfico constitui a terceira mercadoria global. O desemprego e a falta de condições sociais são alguns fatores que levam os homens a aderirem a esse estilo de vida. Como afirma o traficante, A.S: "ao ver meus dois filhos passando fome, por falta de um emprego para o pai pratiquei meu primeiro delito. Mudei da água para o vinho, virei assaltante, depois traficante".
Segundo o delegado do Departamento de investigações sobre Narcotráfico (Denarc), Luís Fernando de Oliveira, o tráfico é uma das mercadorias mais lucrativas do mercado. A falta de oportunidade, somada a ausência de estrutura familiar são fatores que levam os jovens a praticarem o comércio ilegal. Para ele, a única forma de acabar com a violência é repensando a questão social.

Um crime diferente

O narcotráfico é um crime distinto dos de mais. Não há uma classe definida para quem está envolvido com o comércio ilegal. No meio rural a maconha ganha espaço, em zonas menos favorecidas a cocaína e o craque são mais presentes. E, entre a classe média e alta, prevalece o uso de êxtase e LSD, ressalta o delegado do Departamento de Investigações sobre o Narcotráfico (Denarc). Ele revela também, que as investigações aos comerciantes de substâncias ilícitas são as mais trabalhosas, por não existirem testemunhas que acusem o crime. "Quando estamos investigando um assalto, ou um assassinato, há uma vítima, alguém foi prejudicado. Mas ao trabalharmos com o tráfico é diferente, pois os usuários nunca vão denunciar quem lhes fornece a mercadoria. Precisamos ser muito criativos, usar vigilância e grampeação telefônica", explica ele.
Para A.S, o traficante não é um ladrão, ou um assassino, ele só vende o que as pessoas querem comprar. A culpa pela violência geralmente é posta nos comerciantes ilegais, porém os consumidores também são responsáveis por grande parte dos delitos. “É fácil por a culpa nos traficantes, mas a gente não obriga ninguém a usar nada. Um viciado rouba a família, rouba desconhecidos, e se tiver que matar ele mata para sustentar o vício”. Diz A.S

A vida na Boca de Fumo

As Bocas de Fumo (local onde a droga é armazenada) funcionam como uma empresa, todos os envolvidos com o tráfico possuem uma função especifica. Os cargos se estendem do endolador (quem enrola a droga) ao patrão (chefe da boca). O dinheiro adquirido é dividido de maneira proporcional à função exercida por cada um. “O patrão fica com a maior parte do dinheiro, porque precisa pagar os empregados, comprar armas, repor a mercadoria, e ajudar a comunidade no que for preciso”, explica o aviãzinho S.G.
Os entorpecentes percorrem um extenso caminho até chegar aos usuários. Nada nunca é vendido puro, a droga é pesada, refinada e entregue aos consumidores. A facilidade com que os alucinógenos são repassados para a população, somada com a desonestidade de alguns policiais são agravantes do comércio ilegal. "Quem não quer vir até o morro, como a maioria dos ‘play boys’, pode recorrer a nós ‘entregadores’ que levamos a mercadoria-(droga), até o consumidor", afirma o aviãozinho. "Sempre tem os policiais que tu consegue comprar, além disso, alguém avisa quando a polícia está chegando. Um traficante nunca é pego desprevenido”, completa ele.
Além da polícia, os comerciantes de substâncias ilícitas enfrentam confrontos internos diariamente. Quando ocorre uma disputa por ‘boca de fumo’ o tiroteio é inevitável. Entretanto, essa não é uma prática comum, pois há respeito entre os infratores e somente casas que já estão falidas são tomadas. "Um traficante só entra em confronto por ‘boca de fumo’ quando sabe que vai ganhar” diz S.G.

Numa cidade muito longe

Na ditadura militar os revolucionários que se opunham ao regime
Vigente, foram encarcerados ao lado de criminosos comuns. O contato com os idealistas fez com que todos os presos tivessem consciência dos seus direitos, e de como a união e a organização poderiam lhes favorecer. Em meio a esse ambiente, surgiu no presídio da Ilha Grande, situado no Rio de Janeiro, a facção criminosa Comando Vermelho. O movimento tinha como principal objetivo denunciar os abusos cometidos pelas autoridades carcerárias. Os ideais de paz, justiça e liberdade pregados pelos integrantes do Comando são cultivados também pelos contraventores do Sul, porém com outro significado. Como afirma S.G: “O tráfico gaúcho possui esses fatores. Mas é a paz e a justiça da favela. Com os traficantes vendendo drogas, ganhando o dinheiro deles, sem polícia entrando no morro, sem x9 (delator) entregando os caras".
Semelhante ao que ocorre nos presídios cariocas os delinqüentes gaúchos também possuem um controle do crime mesmo estando atrás das grades. Segundo A.S, os prisioneiros que possuem um bom poder aquisitivo permanecem trabalhando com o comércio ilegal através de informantes. O contraventor justifica essa atitude por razões sociais: "a justiça prende, mas o governo não sustenta a família do preso, muito menos dá assistência ao mesmo, É preciso sobreviver de alguma forma".
Apesar, das facções criminosas possuírem armamento semelhante ao da polícia e comportarem um grande número de adeptos, uma revolução marginal hoje seria sufocada com facilidade, como afirma o delegado. “Há vinte anos atrás, talvez o crime organizado tivesse sucesso. Atualmente não, pois falta liderança e conscientização entre os contraventores”.

O crime não compensa

Apesar de o comércio indecoroso proporcionar um poder aquisitivo maior ele é repudiado pelos próprios infratores, como afirma o traficante, "o Brasil é um país rico, porém mal administrado, onde quem rouba milhões dos cofres públicos é absolvido e quem rouba um pacote de biscoitos vai para a cadeia. Apesar disso, o crime não compensa e em circunstância alguma vai compensar o tempo que ficamos longe dos nossos filhos e familiares. O primeiro delito é como uma tatuagem fica marcado para sempre".

Alguns entrevistado preferiram não se identificar, por isso o nome e o sobrenome dos mesmos foram substituídos por iniciais